O SANTO CASAMENTEIRO

Tem gente que põe a imagem do santo virada pra baixo no copo d’água, outras a botam dentro do freezer ou embaixo da cama. Há aqueles que fazem promessas, ameaças e tudo quanto é necessário pra garantir o casamento tão esperado.

O que poucos sabem é que Santo Antônio, ou Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo, nome de batismo, recebeu o título de santo casamenteiro por ajudar duas moças, que não tinham dinheiro para o dote, a casar. Desde então, várias pessoas acreditam que o santo pode ajudar a conseguir o amor e até o casamento.

A 3D Entretenimento bateu um papo com a Tia Coló, erveira muito conhecida do Ver-o-peso, que ensinou algumas simpantias pra “amarrar” a pessoa amada e mostrou pra gente como preparar o famoso “banho de Santo Antônio”! Confira:

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DESERTO – MOTEL MIRAGE

Cliente: MOTEL MIRAGE
Agência: DIRETO

Direção: CASSIANO RICARDO
Direção Geral: JOSÉ PAULO VIEIRA DA COSTA
coord. Produção: LÍGIA COSTA
Edição: GUI COSTA LEITE
motions graphics: ARIEL SANTOS
data: 11/06/14

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O QUE É SER EDITOR DE AUDIOVISUAL?

ime de edição da 3D Produções: da esquerda para direita, Mario Costa, Eberti Paulo, Gui Costa Leite, Ariel Santos e Bruno Sarraf.

Time de edição da 3D Produções: da esquerda para direita, Mario Costa, Eberti Paulo, Gui Costa Leite, Ariel Santos e Bruno Sarraf.

 

Do filme à peça publicitária, os editores de audiovisual são os responsáveis pela mágica da montagem, a eles cabe montar o quebra-cabeça, sugerir a melhor forma de apresentar um conteúdo, estabelecem o ritmo que a mensagem será recebida.

Além de selecionar as melhores cenas e organizar tudo de acordo com o roteiro e com a orientação do diretor, o editor, segundo à função específica que tiver,  também faz  a marcação de luz (colorização), insere efeitos especiais e legendas, quando necessário. O trabalho da edição é uma verdadeira caça ao tesouro, é preciso ter olhar crítico, sensibilidade e paciência para que o trabalho saia perfeito ou quase isso.

Para quem acha que edição de audiovisual é uma área glamorosa, prepare-se! É necessário dedicação e tempo, exige várias horas de trabalho. O profissional precisa ser receptivo a diversos tipos de produção e conseguir se  adaptar a diversas linguagens e formatos.

Batemos um papo com o time de edição da 3D Produções, confira:

 

3D: O que te levou a se tornar editor? O que mais te atraiu?

EBERTI PAULO: O que mais me atrai é o vídeo, a arte. Poder trabalhar com propaganda é o que sempre me chamou a atenção. A edição de vídeo não-linear nada mais é do que um dos processos de lapidação do vídeo final. Como editor eu tenho a oportunidade não apenas de fazer um simples corte de imagens, mais sim “recorte” que se faz de alguma realidade ou da história que se quer contar.

 

3D: Na tua opinião, qual os maiores desafios enfrentados pelos profissionais aqui da região?

GUI COSTA LEITE: Hoje o editor, além de fazer seu principal fundamento que é a montagem, ele, pra “sobrevivência” de mercado, precisa saber motion graphics, na grande maioria, ser colorista, um bom entendedor de tecnologia (com essa evolução cada vez mais atuante e rápida) e ter muito jogo de cintura em operacionalizar todo esse mix de conhecimento. E digo mais, cada dia com os prazos mais enxutos. O editor/montador precisa ter muita afinidade e entender a cabeça de cada diretor para que a sinergia do trabalho se mantenha ou até mesmo se supere. Na ilha, é como se fosse o processo de criação do roteiro, porque aqui você, com a sequência de imagens, conta uma história. Posso dizer que aqui, na região ou em qualquer lugar, o MAIOR DESAFIO é a entrada de qualquer job/roteiro na ilha de edição.

 

3D: Como é a rotina de trabalho na área de edição?

ARIEL SANTOS: Trabalhar com motion e animação, onde eu trabalho, é fantástico, todo dia tenho um desafio, sempre tenho que criar algo novo, às vezes algo funciona, às vezes não, daí você tem que se esforçar mais. Não tenho uma fórmula, procuro sempre diferenciar, além de aprimorar minha criatividade. É uma escola.

  

3D: Qual foi o teu maior desafio até agora, na área da edição?

MÁRIO COSTA: Na montagem o maior desafio é contar uma história em frames, é buscar a cena perfeita, o frame perfeito. Esculpimos histórias em frames para que a essência do filme arrebate os espectadores. Meu maior desafio é sempre a próxima montagem, o próximo filme, a próxima história a ser contada.

 

3D: Qual o teu conselho para quem quer ser editor de vídeo?

BRUNO SARRAF: Meu conselho é: seja paciente. Se a pessoa tiver bastante paciência é um ótimo começo. Ser antenado, observador, prestar atenção nos mínimos detalhes e adicionando a criatividade, que é essencial para se trabalhar com edição. Além disso, deve-se escolher em que área do mercado vai atuar, escolher um software para se trabalhar e dominá-lo. Edição de vídeo não é tão simples como muitos pensam. Quem é profissional da área sabe bem o que estou falando, deve-se estar sempre por dentro das atualidades, ter muitas referências e saber tudo, ou quase tudo no mercado. Enfim, seja um(a) apaixonado(a) pela arte da edição de vídeos.

 

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BELÉM NOSSO BEM – JOÃO DE JESUS PAES LOUREIRO

Cliente: SBT
Agência: DIRETO

Direção: CASSIANO RICARDO
Direção Geral: JOSÉ PAULO VIEIRA DA COSTA
coord. Produção: LÍGIA COSTA
Edição: EBERTI PAULO
motions graphics: EBERTI PAULO
data: 02/06/14

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O LIVRO DO COMENDADOR

Raymundo Mário Sobral.

Raymundo Mário Sobral.

Raymundo Mário Sobral é um catador de palavras. Isso mesmo! Denominação criada por ele, se deu por causa de um de seus trabalhos mais marcantes: o livro Dicionário Papachibé. O conteúdo do livro fez tanto sucesso que já chegou ao 4º volume, e recentemente todos os volumes foram reunidos para o lançamento de uma coletânea. Raymundo Sobral iniciou a carreira dele na TV Marajoara – canal 2, a primeira estação de TV de Belém, e foi um dos primeiros realizadores (hoje se chama DIRETOR) da emissora. Foi colunista no extinto jornal A Província do Pará, além de ser idealizador do jornal PQP – Um jornal para quem pode, criado em 1979. Sobral também é o primeiro e único comendador de araque da Ordem do Macaco Torrado, criada também por ele.

Sobral estará presente na XVIII Feira Pan-Amazônica do Livro para uma sessão de autógrafos, no estande Escritor Paraense, dia 4 de junho. Confira a entrevista que fizemos com ele!

 

3D: O que o levou a escrever o livro Dicionário Papachibé?

Sobral: Começou quase por acaso. Um determinado dia fui visitar meu amigo Hiroshi Yamada e de repente, no meio da conversa, ele disse uma expressão que nem eu mesmo conhecia, um termo bem antigo, uma expressão tipo “no tempo do ronca”. Eu fiquei surpreso e disse “Po, Hiroshi, da onde veio isso? Eu não conhecia essa expressão”, e o Hiroshi respondeu que era usada há muito tempo e que havia muitas outras. Ele pegou uma caneta e um papel e anotou umas dez expressões do palavreado paraense  e disse “Toma, pega aí e na medida do possível vai publicando isso na tua coluna”. Eu peguei o papel, só que ao invés de soltar as palavras no meio de textos, eu formatei uma seção da coluna chamada Dicionário Papachibé e comecei a publicar as palavras que deram origem ao livro. Na coluna, eu colocava a expressão, o significado e contava uma historinha na qual aparecia a expressão que havia mencionado. Quando vi, já tinha mais de duzentas publicações, aí vi que dava pra lançar um livro (o Hiroshi Yamada, apesar de te nome de japonês, jeito de japonês, ele é paraense lá de Acará, e foi um dos maiores colaboradores para o livro). O primeiro volume foi um sucesso, eu vendi seis mil exemplares. Com o dinheiro pude patrocinar até a sexta edição do primeiro volume. Esgotando a sexta edição, percebi que já tinha bastante palavras na minha coluna e então lancei o volume dois. O processo foi sempre o mesmo, publicava primeiro na minha coluna e depois reunia tudo em um livro. Depois de ter lançado o volume quatro, muitas pessoas ligavam pra mim dizendo que queriam a coleção completa, por terem perdido algum dos livros, e queriam que eu arranjasse o volume que elas não tinham. Eu dizia que não tinha e achavam que eu não queria dar ou vender. Mas aí vi uma maneira de resolver isso: reuni todos os quatro volumes em um só.

  

3D: Pra você, qual a importância de reunir e documentar essas expressões populares?

 Sobral: Eu acho que a importância é preservar. Se não tiver um registro assim em papel, essas expressões vão se perdendo. Posso até dar um exemplo mais prático, é a pucarina, um objeto que antigamente as mulheres usavam pra guardar joias (a pucarina era uma peça com diversas utilidades, mas costumava ser usada principalmente para guardar pó de arroz).  Hoje em dia não existe mais a pucarina, quanto mais a palavra… mas ela está registrada no livro.

 

3D: Você costuma consultar livros da literatura regional para conhecer novas palavras. Você resgata essas palavras e seus significados pelo contexto dos livros? Conte um pouco do seu processo de pesquisa.

Sobral: Eu costumo dizer que recuso rótulos de dicionarista, filólogo ou linguísta. Eu não sou nada disso, sou um catador de palavras, porque o que faço é isso, fico cantando palavras. Fazendo uma comparação de catador, posso ser comparado a um catador de caranguejo, só que ele mete a mão no mangue, e quando pega um caranguejo ele vibra e fica feliz da vida. Só que na minha pesquisa, ao invés de ser no mangue, é no livro. Eu tinha que ler livros que já tinha lido, todo dia, página por página, como Dalcídio Jurandir, Benedito Monteiro. Depois de lá pelas tantas páginas, eu descobria uma palavra e via que ainda não tinha saído no livro, e que nem o catador de caranguejo, eu ficava feliz da vida porque aquilo ali era como uma joia que eu havia descoberto. Além disso, eu conversava com muitas pessoas, ia no Ver-o-Peso, que eu chamo de Veropa, conversava com o povo – aquela maneira coloquial do pessoal falar. No início, logo quando comecei, além da colaboração do Hiroshi Yamada, tinha meus familiares mais antigos que também sabiam muita coisa. Nas conversas, eles se lembravam de muitas coisas, eu anotava tudo e depois publicava na coluna.

 

3D: Você já fez muitas viagens pelo interior do estado do Pará para conhecer melhor as expressões que lá são utilizadas? 

 Sobral: Se eu fizesse mais viagens para o interior acho que daria pra fazer mais uns 10 livros, porque tem muita coisa. Guimarães Rosa ia para o interior de Minas, levava o gravadorzinho e começava a conversar com as pessoas. Todos aqueles termos usados nos livros dele eram frutos dessas pesquisas. Eu precisava primeiro de disponibilidade de tempo, e segundo, grana pra poder ficar um tempo sem trabalhar. Marajó, Cametá, Afuá, Curralinho, todo esse interiorzão, se eu pudesse ir, com certeza daria pra escrever muitos livros.

 

3D: Atualmente a tecnologia está muito forte, vários aplicativos surgem a cada dia e esse “internetês” tem dominado o nosso falar. Você acha que isso ameaça o nosso tesouro linguístico?

Sobral:  Não acho nem que é a internet, mas sim a televisão. Por exemplo, antigamente o paraense falava que ia lá no “canto”. Hoje ninguém fala mais “canto”, e sim “esquina”. Isso é influência da televisão que fica martelando todo tempo, e o cara não fala que vai no “canto” porque não quer passar por caboco, tem vergonha de assumir a identidade cultural dele.

 

3D: Você pensa em lançar um 6º volume?

Sobral: Com esses 4 volumes que já lancei, acho que tem mais de mil verbetes. Então acho que esse é um trabalho preliminar, meu trabalho não é acadêmico. Quem quiser continuar já vai pegar meio caminho andado, podem ir pro interior pesquisar mais… é inesgotável o linguajar paraense.

 

3D: Você percebe um fluxo intenso da linguagem pelo fato de estarmos imersos em constantes mudanças?

Sobral: Costumo dizer que as palavras surgem com prazo de validade. Elas são lançadas e as pessoas as consomem durante um certo tempo. Por exemplo, a palavra “broca”, que é usada pra dizer que uma pessoa está com fome. Daqui a pouco vão esquecer a palavra e quem falar “broca” vai passar por antigo. As palavras da chamada língua culta, depois de serem consumidas por bastante tempo, vão parar nos Aurélios da vida, já o palavreado paraense nunca teve essa sorte e as expressões iam acabar se perdendo. O meu trabalho tem por finalidade guardar essas palavras. Enquanto existir sobre a face da Terra um livro, um volume desses, estará registrado um pouco da nossa identidade cultural.

 

 

 

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